




Em 2024, e a propósito do projeto IT DEEL (projeto de quatro anos que cruza poesia e música num ensemble frísio-internacional em constante renovação), Joana Gama e Maria do Mar reuniram-se com os irmãos Kleefstra, o poeta Jan Kleefstra e o músico multi-instrumentista Romke Kleefstra, para uma residência criativa, da qual resulta um trabalho colaborativo único. O projeto, criado pelos irmãos Kleefstra, centra-se na relação entre o ser humano e a natureza, explorando essa ligação de forma sensível e experimental. Cada encontro reflete o diálogo entre os artistas e o território frísio (região dos Países Baixos), dando origem a criações que se distinguem pela profundidade, escuta e identidade própria. A poesia de Jan é recitada em língua frísia, idioma oficial da região de Friesland, a norte dos Países Baixos. De cada colaboração resultou um disco, editado pela Moving Furniture Records, acompanhado por digressões de apresentação nos Países Baixos e, sempre que possível, também nos países de origem dos músicos convidados.
In 2024, as part of the IT DEEL project (a four-year project that blends poetry and music within a constantly evolving Frisian-international ensemble), Joana Gama and Maria do Mar came together with the Kleefstra brothers – the poet Jan Kleefstra and the multi-instrumentalist Romke Kleefstra – for a creative residency, resulting in a unique collaborative work. The project, conceived by the Kleefstra brothers, focuses on the relationship between humankind and nature, exploring this connection in a sensitive and experimental way. Each encounter reflects the dialogue between the artists and the Frisian region (in the Netherlands), giving rise to creations characterised by depth, attentiveness and a distinct identity. Jan’s poetry is recited in Frisian, the official language of the region of Friesland in the north of the Netherlands. Each collaboration has resulted in an album, released by Moving Furniture Records, accompanied by promotional tours in the Netherlands and, wherever possible, also in the home countries of the guest musicians.
Joana Guerra (Lisboa, 1983), violoncelista, compositora e improvisadora cuja inquietação e paixão pela experimentação a têm levado a colaborações com inúmeros músicos, assim como a projetos de dança, performance e teatro, entretecendo um universo único em constante expansão. Tem trabalhado em contextos diversos, a solo e coletivamente, movendo-se livremente entre disciplinas artísticas. Joana incorpora uma vasta gama de influências, incluindo noise, improvisação, folk, jazz, música experimental, sonoridades tradicionais ou minimalistas, unificando essas referências numa abordagem distintiva. Lançou quatro discos do seu projeto a solo, sendo o mais recente "Chão Vermelho": canções impressionistas e experimentais, alinhadas pela hipnose do violoncelo. Colabora em projetos no espectro da música exploratória e improvisada: The Alvaret Ensemble, Lantana, Tratado Ensemble (inspirado na obra Treatise de Cornelius Cardew), Orquestra do Ruído, etc. Além de variadas colaborações artísticas: Joëlle Léandre, Surma, Gume, João Ferro Martins, Manja Ristić, Victor Herrero, Ricardo Jacinto, Lula Pena, Mikhail Karikis, Yaw Tembe, Asimov, Tiago Sousa, Pop Dell’Arte, entre outros.
Maria do Mar é uma violinista de Lisboa. Com um trajeto vincado na música e ensino - integrou a Direção Pedagógica da Escola Carolina Michaelis - Maria do Mar tem apresentado um projeto transdisciplinar e com uma abordagem criativa na exploração de convergências e divergências entre música erudita, as modalidades alternativas de ensino, a música experimental e improvisada, o cinema, o teatro, a dança e o ativismo. 2012 marca o início da sua exploração e improvisação livre com outras linguagens musicais, após a participação no Atelier de Improvisação e Direção de Ensemble em tempo-real (Conduction) dirigido por Butch Morris. Estes anos de experiência musical fizeram com que desenvolvesse vários projetos de improvisação com vários artistas (Carlos Zíngaro, Marcelo dos Reis,Helena Espvall, Joana Guerra, Maria Radich, Christophe Berthet, entre outros), apresentando os mesmos em concertos, festivais e ciclos. Procura no seu trabalho um universo amplo, o desenvolvimento de uma linguagem pessoal, com fronteiras estéticas esbatidas, onde se abrem possibilidades transversais e sem limites criativos.
Jan Kleefstra é um poeta performer que, há duas décadas, explora a interseção entre poesia, música e imagem com o irmão Romke. O seu trabalho assenta numa escrita intuitiva, fragmentária e sensorial, rejeitando forma, técnica e estrutura pré-concebidas. A criação surge da escuta e da experiência direta do mundo, valorizando o silêncio como espaço de sentido e entendendo a vida como um todo inacabado em constante fluxo.
Romke Kleefstra é um músico e compositor neerlandês ativo desde os anos 1990 na área da música experimental, com trabalhos que atravessam o ambiental, drone, eletrónica e improvisação. Iniciou o seu percurso em bandas como Shatterhole, Seascape Painters e Polaroyd, evoluindo mais tarde para uma prática artística fortemente colaborativa e interdisciplinar. Integra projetos como Piiptsjilling (com Jan Kleefstra, Rutger Zuydervelt/Machinefabriek e Mariska Baars), The Alvaret Ensemble, Transtilla e Kleefstra Bros, entre outros. O seu trabalho cruza música, poesia, paisagem e silêncio, desenvolvendo-se em discos, performances e projetos de longa duração ligados a território e escuta. A par com a sua atividade artística, Romke é ornitólogo.